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Vida mais longa, Plano mais forte: por que a Previdência Complementar é um compromisso de longo prazo?

Imagem de um relógio quarta-feira, 09/09/2026, às 15:12

No Brasil, uma pessoa completa 50 anos a cada 19,3 segundos. O dado é do SeniorLab e mostra algo que já sentimos no dia a dia: o país está envelhecendo, e rápido. ⏳

Isso é uma boa notícia. Mas também é um convite para repensar como planejamos o futuro, em especial, a vida financeira, seja para quem ainda está construindo a sua reserva previdenciária ou para quem já está na fase de aposentadoria.

Viver mais exige planejar por mais tempo e para mais possibilidades.

📈 Estamos vivendo mais do que qualquer geração antes de nós – e isso muda a conta da aposentadoria

Segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro chegou a 76,6 anos em 2024, a maior já registrada. Para efeito de comparação: em 1940, era de apenas 45,5 anos. Ou seja, ganhamos mais de 31 anos de vida em menos de um século.

Segundo dados da B3 publicados pela CNN Brasil, em agosto de 2026, o número de investidores com 60 anos ou mais chegou a cerca de 595 mil em junho de 2026, crescimento de 358% em dez anos. Eles representam 10,4% da base de aproximadamente 5,6 milhões de investidores em renda variável, mas respondem por 46% do volume investido, sinal de que essa população não apenas está maior, como também tem patrimônio relevante para administrar na fase madura da vida.

O movimento combina envelhecimento da população, maior acesso às plataformas digitais e avanço da educação financeira. Ele também mostra que a gestão do patrimônio não termina quando chega a aposentadoria: ao contrário, ganha novas perguntas sobre renda, liquidez, proteção e duração dos recursos.

🩺 Mas, viver mais não é o mesmo que viver bem

Viver mais é uma conquista, mas não significa necessariamente viver todos esses anos com os mesmos gastos e necessidades. Na prática, as despesas com saúde tendem a crescer com a idade e podem ter um peso cada vez maior no orçamento.

A reportagem da CNN, com base em dados do IBGE, mostrou que, no período de 12 meses, os serviços médicos e dentários acumulavam alta de 8,24% enquanto os preços de fisioterapia registravam aumento de 13,29%, ambos acima do IPCA de 4,64% no mesmo recorte.

Em outras palavras, uma parte considerável da vida adulta e da terceira idade pode vir acompanhada de despesas médicas, tratamentos e cuidados que exigem planejamento financeiro.

Isso reforça uma ideia importante para o planejamento previdenciário: a renda da aposentadoria precisa considerar não só o tempo que teremos pela frente, mas também como esse dinheiro será usado ao longo das diferentes fases da vida.

💰 O que tudo isso tem a ver com a Previdência Complementar?

Viver mais anos – e, eventualmente, alguns deles com mais cuidados de saúde – muda a conta. A renda que você vai precisar na aposentadoria inclui diversas despesas, como: viagens, projetos, netos, cursos, bem como consultas, exames e tratamentos.

É aqui que a Previdência Complementar mostra uma de suas principais vantagens: ela existe para construir, ao longo de muitos anos, uma reserva que seja suficiente para sustentar uma vida com mais tranquilidade e menos dependência exclusiva da Previdência Social.

Esse planejamento também ganha importância porque a trajetória de cada pessoa muda. Por isso, o objetivo não é apenas acumular, mas transformar patrimônio em renda adequada ao tempo de vida e às prioridades de cada fase.

E a expansão dos investidores 60+ na B3 traz uma mensagem adicional: pessoas mais velhas estão cada vez mais atentas à gestão do próprio patrimônio. Isso não significa que assumir mais risco seja a solução para a aposentadoria. Significa, sim, que a educação financeira, a diversificação e o planejamento precisam acompanhar o investidor antes e depois da aposentadoria, de acordo com seus objetivos e sua capacidade de suportar oscilações.

🧓 E para quem já está na fase de aposentadoria?

Se você já é Assistido, ou seja, já está em fase de recebimento de benefício, esses dados também são importantes para você. A diferença é que, agora, o foco está em entender como as decisões do Plano ajudam a manter o pagamento do seu benefício ao longo do tempo.

O aumento da expectativa de vida é um dos motivos pelos quais os Planos de Previdência Complementar consideram a longevidade em suas regras. O objetivo é que o benefício acompanhe você por todo o tempo de vida que for necessário, não apenas por um período fixo estimado no passado.

Por isso, as Entidades revisam periodicamente as tábuas atuariais e a Política de Investimentos. Essas revisões ajudam a manter os Planos preparados para pagar os benefícios por mais tempo, acompanhando o aumento da expectativa de vida.

📈 E o que os investimentos têm a ver com o seu benefício?

Acompanhar os resultados dos investimentos também é uma forma de acompanhar a saúde do Plano que paga o seu benefício.

Os Planos administrados pelas Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) funcionam em regime de capitalização. Ao longo do tempo, podem apresentar superávit ou déficit:

  • Superávit: quando os recursos acumulados são maiores do que o necessário para pagar os benefícios.
  • Déficit: quando os recursos acumulados não são suficientes para cobrir os compromissos do Plano.

Como resume Devanir Silva, presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), em entrevista ao Diário do Comércio, “superávit não é lucro, assim como déficit não é prejuízo”. Segundo ele, trata-se de oscilações naturais de planos de longo prazo, que precisam ser equilibradas ao longo do tempo.

Em outras palavras, a utilização do superávit ou o equacionamento do déficit não são decisões arbitrárias. Eles seguem critérios técnicos previstos em lei e nas normas do órgão regulador, o Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC).

📋 Por que acompanhar essas informações?

Relatórios divulgados pela sua Entidade, como o Relatório Anual de Informações, os Demonstrativos de Investimentos e a Política de Investimentos, ajudam você a entender a saúde financeira do Plano que sustenta seu benefício e a planejar melhor sua renda na aposentadoria, inclusive para despesas de saúde e decisões relacionadas à pensão por morte para seus dependentes. Entender como o Plano funciona também é uma forma de cuidar do seu benefício hoje e de se preparar para os próximos anos.

Por que começar cedo faz tanta diferença?

O grande aliado de quem contribui por muitos anos é o efeito dos juros compostos: os rendimentos obtidos também podem gerar novos rendimentos, ano após ano.

Na prática:

  • quanto mais cedo você começa, mais tempo os recursos têm para crescer;
  • interromper contribuições ou resgatar recursos antes da hora reduz esse efeito;
  • pequenas contribuições mantidas por décadas costumam render mais do que grandes aportes feitos só nos últimos anos antes da aposentadoria.

Ou seja: o tempo pode trabalhar a seu favor, mas só se você permitir.

🛡️Um sistema com regras para proteger você

A Previdência Complementar é disciplinada pela Lei Complementar nº 109/2001 e conta com a supervisão e a regulação de órgãos como a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) e o Conselho Monetário Nacional (CMN). As regras técnicas aplicáveis ao dia a dia dos Planos, incluindo a apuração de superávit e déficit, como vimos acima, são detalhadas em normas do CNPC, como a Resolução CNPC nº 30/2018.

Essas regras também oferecem alternativas para diferentes momentos da vida:

  • Autopatrocínio: permite manter as contribuições ao Plano mesmo após a perda do vínculo com o Patrocinador, assumindo também a parcela que caberia a ele, conforme as regras do Plano.
  • Benefício Proporcional Diferido (BPD): permite interromper as contribuições e manter os recursos acumulados no Plano para receber o benefício no futuro, desde que atendidas as condições previstas no regulamento.
  • Portabilidade: permite transferir os recursos acumulados para outro Plano de Previdência Complementar, conforme as regras aplicáveis.

Assim, o Plano pode acompanhar mudanças de emprego, de renda e de fase da vida.

Para entender melhor o papel das Entidades nesse sistema, vale revisitar a edição 5 da série Previdência sem Mistério: “O papel da EFPC”: https://www.previrb.com.br/prev-dicas/previdencia-sem-misterio-edicao-5-o-papel-da-efpc/

O que você, Participante ou futuro Participante da PREVIRB, pode fazer com essas informações?

Cada fase da vida pede uma atenção diferente ao planejamento previdenciário:

  • Se você é jovem: começar (ou manter) as contribuições agora é uma das decisões mais estratégicas que pode tomar para o seu futuro. Mesmo que a aposentadoria pareça distante, o tempo é um importante aliado. Use o Simulador de Contribuição da PREVIRB para visualizar como diferentes percentuais impactam sua reserva ao longo do tempo.
  • Se você está no meio da carreira: este pode ser um bom momento para revisar o percentual de contribuição e verificar se ele continua adequado aos seus objetivos. O Simulador de Contribuição da PREVIRB também é uma boa ferramenta para testar cenários antes de decidir.
  • Se você está perto da aposentadoria: entender esses dados ajuda a planejar melhor o uso da renda ao longo de uma vida mais longa. Conheça o Simulador de Renda da PREVIRB e projete diferentes formas de recebimento do seu benefício.
  • Se você já está aposentado: acompanhar os resultados do Plano, os investimentos e as informações divulgadas pela sua Entidade ajuda a entender como o benefício é sustentado ao longo do tempo.

🚀 Viver mais é uma conquista. Planejar para isso é uma escolha.

O Brasil está envelhecendo, e isso já faz parte da nossa realidade. Viver mais é uma conquista, mas também traz novos desafios para o planejamento financeiro.

Quanto maior a expectativa de vida, maior pode ser o período em que precisaremos contar com nossos recursos. Por isso, começar cedo, contribuir de forma consistente, acompanhar o Plano e revisar o planejamento ao longo da vida são atitudes que podem fazer diferença.

A mensagem é simples: não importa em que fase da vida você está. Entender o seu Plano e fazer escolhas conscientes hoje ajuda a cuidar da sua renda de amanhã.

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Fontes: IBGE; G1 – Saúde; Agência Brasil; Portal Viva; Diário do Comércio e CNN Brasil